Três amigos que descobrem o café de especialidade viajando pelo mundo e regressam às suas raízes, a Sevilha, para valorizar esse café que lhes tinha quebrado os esquemas. Esta é uma história de reencontro, mas, sobretudo, é o relato de três apaixonados pelo café que chegam a fazer parte do campeonato de AeroPress mais grande de Espanha e, no entanto, cedem o protagonismo da sua história aos produtores que dão sentido e razão de ser ao seu torrador.
Ineffable [adj.]: que não se pode descrever com palavras. Poderíamos pensar que colocaram este nome —em inglês— no seu café por ser tão, tão bom que não se pode explicar. Sim, mas não só isso. "Queríamos expressar a experiência Ineffable, que para nós é essa sensação que te invade quando provas pela primeira vez um café de especialidade: esse wow!, isso que te muda os esquemas do café para sempre", conta Jose. Ele é um dos três fundadores da Ineffable Coffee Roasters, um torrador sevilhano que se gerou depois de percorrer o mundo.
Jose, Omar e Alejandro são os três fundadores. Omar e Alejandro são irmãos e Jose é amigo da escola. Sim, esta é uma história de reencontro, mas algo atípica. Os três estavam a percorrer o mundo por sua conta. Omar e Jose coincidiram por acaso na Cidade do Cabo e viveram uma cidade diversa, selvagem, perigosa e que, afinal, também estava cheia de bom café de especialidade pela influência dos seus cidadãos australianos. Lá, o café de especialidade chegou em 2005 e Jose começou a trabalhar em 2010 como barista e, depois, como torrador. Foi crescendo, começou a selecionar o café, a torrá-lo, a treinar baristas e, com esta bagagem, chamaram-no para um projeto em Istambul: também ligado com o café de especialidade.
Granada, Madrid, Dubai, Logroño, Escócia, Istambul, México, Cidade do Cabo… Menos em Sevilha, tinham vivido em toda a parte e, no entanto, esse foi o destino final para montar o seu torrador de café. Em 2012, Omar regressa a Espanha e apercebe-se de que sim, é um país de café, mas não de bom café. Começa a falar com Jose e Alejandro e decidem abrir um café de especialidade. "Aquela cafeteria não durou muito, mas foi o germe para começar a trabalhar o café de outra forma", conta Omar. Essa cafeteria marcou um ponto de inflexão: perguntaram-se o que podiam fazer para mudar a ideia e o consumo do café, e o que era necessário para que se apreciasse o café de especialidade numa cidade como Sevilha, que é louca pelo torrado. E viram que tinham de se meter no processo: selecioná-lo, torrá-lo e oferecê-lo a provar. E assim, em 2016 começam a montar um torrador em que a prova e o torrado são o desfecho de uma história que tem como protagonistas os produtores do café.
Do mundo a Dos Hermanas
A este município sevilhano chegam os grãos do Brasil, Peru, Indonésia, Colômbia, Costa Rica… "O nosso objetivo é encontrar produtores com os quais possamos desenvolver uma relação duradoura e poder assim repetir os seus cafés ano após ano. Gerar estas relações leva tempo, mas é o que marca a diferença", conta Jose. Marca a diferença no café e na sua história. Cafés produzidos por uma comunidade de mulheres, por cooperativas que ajudam ao desenvolvimento de cafés mais éticos com o trabalhador e mais sustentáveis; ou por um homem, Rodolfo Ruffatti,




