Café de especialidade. Nem todos os cafés são iguais
Todos os cafés são iguais, mas alguns cafés são mais iguais do que outros. Quisemos começar parafraseando George Orwell com esta frase extraída da sua satírica novela 'A Revolução dos Bichos' porque nos vai ajudar a entender o que é o café de especialidade.
Todos os cafés são, isso, café. Ou seja, o café é a bebida que se obtém a partir das sementes torradas dos cafetos, a planta do café.
Mas a planta do café tem cerca de 120 espécies diferentes das quais se usam principalmente duas: o coffea arabica e coffea robusta. E nem estas duas são iguais, nem as centenas de variedades de cada uma delas o são.
Factores como o clima, a altitude ou o terreno influem no fruto e, portanto, na semilla. Para além disso, o processo de colheita, torração e preparação também são importantes no produto final: a chávena de café que preparas ou que te preparam cada manhã.
Todos os cafés são café, mas nem todos os cafés são iguais. Mas comecemos pelo princípio.
Erna Knutsen: uma mulher especial e um café especial
Erna Knutsen, criadora do termo "café de especialidade"
Erna Knutsen não foi uma mulher conformista. Graças ao seu amor pelo café, às suas excelentes aptidões para degustar e ao seu bom olho para os negócios conseguiu introduzir-se num mundo que, nos Estados Unidos dos anos setenta, estava reservado apenas para homens.
Iniciou-se no mundo do café trabalhando como secretária — oficialmente, mas como assistente executiva na realidade — de Bert Fulmer, que era proprietário de uma antiga casa de café.
Durante o seu tempo nesta empresa apercebeu-se de que havia alguns lotes de café, chamados "lotes quebrados", que eram de menor quantidade e com sabores especiais que as grandes empresas não queriam. Estes lotes, para além disso, costumavam ter uma única origem.
Erna aprendeu a degustar — algo que não foi fácil visto que apenas os homens podiam fazer — e utilizou estas habilidades para dar saída aos "lotes quebrados" em torrefactores pequenos.
Criação do termo café de especialidade
Em 1973 Fulmer nomeou-a vice-presidente e em 1974 Erna criou um termo que desde então acompanha todos os amantes do café. Num número da revista Tea & Coffee Trade Journal, Erna utilizou o termo "café de especialidade" para se referir a estes lotes quebrados.
Cafés especiais, tanto pela sua cultura como colheita e processamento, com sabores únicos e em lotes pequenos de uma única origem. Para além disso, para Erna, um café de especialidade não era apenas isso, mas que implicava relação e bom trato com os agricultores e cuidado do produto até destinatário final: o consumidor.
Desde então, o termo "café de especialidade" passou a fazer parte da cultura do café e a significar um café




