Cafeteiras de êmbolo, a sua história
Uma daquelas tardes quentes de verão em Sevilha, em que até os girassóis procuram sombra, alguns amigos decidimos ir à procura de um refúgio.
Fizemos todos os preparativos pertinentes para passar o fim de semana fora: spray anti-mosquitos e café em grão de especialidade com toda a parafernália -digna de bons frikis- para o preparar. Ou isso é o que pensávamos. Também levávamos tenda de campanha, comida e outras coisas, mas nada disso era realmente essencial.
Encontrámos um local recôndito na serra junto à margem de um rio. Era o paraíso. A temperatura durante o dia não passava de 28 ou 30 graus, que, comparados com os 42 de Sevilha, nos fazia questionar as nossas decisões existenciais.
O caso é que acordámos na manhã seguinte, depois de ter feito frio, e dispusemo-nos a realizar a tarefa mais importante de um domingo de manhã em campismo: fazer um café.

Moendo café com duas pedras por nos termos esquecido do moinho
Mas não um café qualquer. Levávamos a nossa AeroPress, camping gas, café em grão e… que nos leve o diabo, não tínhamos moinho. Tínhamo-nos esquecido dele em casa, a 250 km.
A localidade mais próxima ficava a meia hora e a simples menção de café de especialidade faria com que nos olhassem como éramos: sibaritas urbanos no campo.
Fazendo uma regressão a um estado evolutivo anterior, provavelmente pela falta de cafeína, decidimos tentar moer o café com duas pedras que procurámos no rio (para que fossem planas e estivessem limpas). E, com muita dedicação e pouco juízo, conseguimos moer o café.
Diz a lenda que assim foi como se inventaram as cafeteiras de êmbolo. Um sujeito de origem francesa esqueceu-se da sua cafeteira enquanto se encontrava em viagem. Assim que decidiu deitar o café moído directamente na água e depois procurou um filtro que lhe permitisse empurrar o café para o fundo da panela com um instrumento cilíndrico e alongado. De metal. Et voilà, tinha inventado a cafeteira francesa, um nome muito original. Felizmente, também é conhecida como cafeteira de êmbolo ou cafeteira de pistão.
E a história "oficial" das cafeteiras de êmbolo?

Design de cafeteira de êmbolo Attilio Calimani e Giulio Moneta
Como costuma acontecer, a "história oficial" é muito mais aborrecida do que a que vos acabámos de contar e nem por isso mais verdadeira. A diferença é que para a história oficial contamos com um registo de patentes que nos indica uma




